Un poco de reflexidad

Maio 1st, 2008

Um texto interessante sobre os estudos sociais de ciências, tecnologia e sociedade. Abaixo, o fichamento:

KREIMER, Pablo THOMAS, Hernán (2004). Un poco de reflexividad o De onde venimos? Estudiossociales de la ciencia y la tecnologia en America Latina. In Producción y uso social de conocimentos. Estudios de Sociologia de la ciencia y la tecnologia en America Latina. Bernal, Buenos Aires: Universidad Nacional de Quilmes Editorial

intervenção [11]

Cada vez que se estuda algum campo do conhecimento, necessariamente se faz um “intervenção” neste campo

limites difusos [12]

O campo CTS ainda é muito difuso na América Latina, isto se deve, em parte, graças a sua recente institucionalização e em parte por sua própria natureza. O campo começou a encontrar espaço institucional apenas duas décadas, e os espaços de atuação são muito heterogêneos

Origens na América Latina [13]

Por aqui, a origem do campo aparece com uma particularidade, uma vez que os primeiros que se preocuparam com o tema foram engenheiros e cientístas. Até a década de 80 existe uma presença muito pequena de cientistas sociais. Até a “conversão” de engenheiros em cientistas sociais foi moderada na América Latina.

justaposição de investigadores [13]

Uma parte intrínseca do campo CTS é a justaposição entre investigadores saídos das ciências sociais de um lado e investigadores das ciências puras de outro. Em alguns casos, esta justaposição foi espontânea, como na Inglaterra, onde economistas, matemáticos e sociólogos se uniram. Em outros casos, esta união é uma estratégia deliberada, como o programa da CNRS francesa.

subgrupo das ciências sociais [15]

O CTS é um subgrupo de estudos das Ciências Sociais. Ainda que participaram dele engenheiros e cientistas, isto se deu apenas no início.

contextos periféricos [15]

Praticamente não existe nenhuma reflexão sobre a produção das ciências sociais em contextos periféricos em relação ao mainstream dessas disciplinas na cena internacional. Com isso, salvo raras exceções, a América Latina tem “recebido” as teorias dos EUA e da Europa. Gerando reflexões, desenvolvimentos e crescimento “a partir” das teorias americanas e européias, mesclando com diversas investigações empíricas dirigidas a problemas locais bem específicos, ainda que se utilizando dos marcos teóricos que podem ser desvinculados dos seus contextos de produção

campo de estudos [16]

Atualmente, podemos demarcar os estudos CTS como estudos de: sociologia e história da ciência e da tecnonologia, econômia da mudança tecnológica, política de ciência, tecnologia e inovação, administração e gestão da ciência e tecnologia, ética aplicada (bioética, ética da investigação científica), filosofia da ciência e da tecnologia, comunicação pública da ciência e ciência da educação

constituição de um campo científico [18]

Em linhas gerais, pode-se afirmar que a efetiva constituição de um campo científico responde à articulação de um conjunto de elementos que vão se organizando em um espaço “autosustentável” e se reproduz através das novas gerações.

linhas mestras [20]

As análises são feitas com base em três linhas mestras:

-”Áreas temáticas” - Se integram na análise elementos correspondentes aos aspectos sociais, cognitivos e de gênero

KREIMER, Pablo THOMAS, Hernán (2004). Un poco de reflexividad o De onde venimos? Estudiossociales de la ciencia y la tecnologia en America Latina. In Producción y uso social de conocimentos. Estudios de Sociologia de la ciencia y la tecnologia en America Latina. Bernal, Buenos Aires: Universidad Nacional de Quilmes Editorial - 2

-”Aspectos institucionais” - Refere fundamentalmente a geração de isntituições de investigação e programas universitários de formação de recursos humanos.

-”Desenvolvimento dos aspectos sociais da interação” - Sintetiza a dinâmica de socialização do campo em termos de organização de eventos científico-acadêmicos e de publicações científicas da região.

Trajetória do campo [20]

O campo CTS teve alguns momentos: 1 - 1960 / 1970 - Forma-se o campo de estudos sociais de ciências e tecnologia, gerando as primeiras reflexões sistematicas, onde se estabeleceram as primeiras agendas e se realizaram as primeiras publicações. 2 - A partir de 1980 existe a expansão e consolidação do campo CTS, onde foram gerados processos de institucionalização da investigação e programas de pós-graduação.

história dos talentos [21]

Primeiramente, deu-se a história dos talentosos e extraordinários cientistas, como Oswaldo Cruz, no Brasil e Bernardo Houssay na Argentina. Mais tarde foi elaborada uma revisão crítica da biografia e obra desses cientistas

abordagens [21]

Desde os anos 80, os grupos foram se formando com bases em três diferentes aboradagens do campo CTS: “abordagem histórica”, “abordagem política” e “abordagem socioantropológica”

identidade [24]

O campo CTS estava preocupado em criar sua própria identidade latino-americana, haja vista que todas as perspectivas para o campo eram européias ou americanas

história da tecnologia [25]

Entre 1960 e 70, a história da tecnologia alcançou um desenvolvimento escasso se comparado à história da ciência. Isso porque boa parte dos trabalhos tecnológicos eram feitos com produtos locais, e de mais difícil difusão pelo resto do mundo. O segundo motivo é a reserva em realação às invenções locais, por culpa das leis de patente.

aspectos normativos [26]

É interessante notar que entre os anos 60 e 70, houve uma clara supremacia dos aspectos de tipo normativo, em detrimento dos aspectos analíticos.

problemas políticos [26]

Ourto campo disciplinar da CTS se estruturou ao redor dos problemas políticos realativos a ciência e tecnologia. Foi estruturado então o PLACTS - Pensamento latino-americano em ciência, tecnologia e sociedade. O texto de Dagnino, Thomas e Dayvid nos fala mais sobre isso

apoios [27]

Nos 60, quando os estudos começaram, já começaram com apoio da OEA e da Unesco. O objetivo era mobilizar a ciência e tecnologia como palanque do desenvolvimento político e social

sociologia do conhecimento e suas pretensões [33]

Nos anos 70, acabou por formar-se uma nova “sociologia do conhecimento”. Com uma pretenção de abrir a “caixa preta” da ciência. OUtra pretensão foi a de ligar aspectos cognitivos presentes no interior desta caixa preta, com os aspectos sociais que os condicionam, demarcam e em alguns casos, os determinam

KREIMER, Pablo THOMAS, Hernán (2004). Un poco de reflexividad o De onde venimos? Estudiossociales de la ciencia y la tecnologia en America Latina. In Producción y uso social de conocimentos. Estudios de Sociologia de la ciencia y la tecnologia en America Latina. Bernal, Buenos Aires: Universidad Nacional de Quilmes Editorial - 3

intenção da CTS [33]

Na América Latina, o campo CTS ocupa-se da estrutura cultural da ciência, mais como um ensio sobre sociologia do que uma incursão pela metodologia.

sociologia construtivista [34]

A sociologia construtivista impulsionou uma mudança fundamental no nível de análise da ciência, concentrando-se no que chamou “ciência enquanto se faz”, que devia ser observada nos laboratórios e outros espaços concretos de produção de conhecimento.

conhecimento como construção social [34]

O conhecimento é, para a maior parte dos autores das novas correntes, o resultado de uma construção social. Motivo pelo qual a nova sociologia do conhecimento tenha sido frequentemente denominada de “construtivismo”

desafios [34]

O primeiro desafio foi derrubar a suposição de que cientistas “usam os métodos adequados”com o objetivo de “obter conhecimento verdadeiro”.

simon schwartzman [35]

simon schwartzman faz uma reconstrução do desenvolvimento da comunidade científica no Brasil. Desde o começo e a herança portuguesa entre os séculos XVIII e XIX até os tempos mais modernos, de verdadeira institucionalização da investigação científica.

nível de inserção institucional [36]

Durante um grande período, o nível de inserção institucional da CTS foi relativamente informal. Os estudiosos do tema eram também professores em suas áreas específicas de atuação,e não havia nenhum curso de pós-graduação neste nível. Isso até o final dos nos 70. Assim, fica complicado denominar o concieto de “escola”. Até o final dos 70 os cientistas que investigavam o CTS estavam ilhados. Ainda assim, posteriormente, existiu uma grande fluência de idéias.

anos 80-2000 [39]

A partir dos anos 80, o estudo dos campos sociais das ciências desenvolveu-se tanto em aspectos quantitativos (mais publicações, mais investigações) quanto em aspectos qualitativos (maior diversidade temática, pluralização de abordagens). Com o aumento da produção, as ronteiras entre as distintas abordagens se tornam muito mais difusas. Tambem nota-se uma forte influência da institucionalização e , em particular, da academização das atividades de investigação com cursos de mestrado e doutorado, ao contrário das décadas anteriores, fortemente marcadas pelas atividades individuais.

institucionalização acadêmica [42]

O processo de institucionalização acadêmica da produção do campo CTS teve como correlato uma maior preocupação com o rigor metodológico das produções, a inscrição explícita a marcos teórico-conceituais e o desenvolvimento de investigações enquadradas em competências disciplinares.

subordinação [43]

A produção CTS latinoamericana está dentro de um fenômeno de “integração subordinada”, comum a grande parte da produção científica da região. Isto se dá, em parte, pelo desejo dos pesquisadores em publicar em revistas internacionais. Para tanto, é necessário simular os “cases” norte-americanos ou europeus, em alguns casos, forçando a barra.

política e financiamentos [44]

Outro problema encontrado foi que, por causa da institucionalização das pesquisas, elas acabaram focando um eixo, ditado tanto

KREIMER, Pablo THOMAS, Hernán (2004). Un poco de reflexividad o De onde venimos? Estudiossociales de la ciencia y la tecnologia en America Latina. In Producción y uso social de conocimentos. Estudios de Sociologia de la ciencia y la tecnologia en America Latina. Bernal, Buenos Aires: Universidad Nacional de Quilmes Editorial - 4

por uma planificação governamental quanto por uma busca por financiamentos, o que acabava por alinhar as pesquisas e orientar as pesquisas em modelos propostos muitas vezes fora da região.

Áreas temáticas [45]

As duas áreas temáticas mais representativas, apresentando uma produção mais significativa foram: sociologia da ciência e tecnologia e economia do movimento tecnológico

80 e 90 [46]

Entre as décadas de 80 e 90, várias manifestações e trabalhos foram criados em toda a américa Latina. Sempre tendo como base explorar o problema CTS. No texto há vários exemplos.

ditaduras [69]

As ditaduras na América Latina impediu toda instância social de debate crítico, além de impactar fortemente sobre as instituições e os intelectuais, implicando, inclusive, no exílio de vários deles. A geração dos pioneiros foi afetada diretamente por essas políticas governamentais. Com o exílio, muitos dos investigadores tiveram suas vozes caladas, censuradas em seus países. Outros, porém, aprofundaram seus contatos em centros de investigação CTS no exterior, aprofundando seus conhecimentos e criando novas concepções.

conclusões [69]

Entre 1960 e 2000, a trajetória do campo CTS só aumentou na América Latina, com um aumento da quantidade de investigadores, acumulação de conhecimento, multiplicação de abordagens teórico-metodológicas e crescimento de grupos de investigação. Este crescimento, porém, não foi linear, com o campo CTS “passando” por várias gerações, com diferentes desenvolvimentos e institucionalizações.

conclusões da segunda geração [72]

A segunda geração desenvolveu maiores capacidades de investigação, resultantes tanto da profissionalização quanto da academização, que permitiu o desenvolvimento de disciplinas acadêmicas. Com isso, é possível verificar crescentes pontos de convergência entre diversas disciplinas, gerando um diálogo entre enfoques distintos e criando uma convergência mediante geração de redes específicas da temática.

ortodoxias [74]

É possivel detectar, nos CTS latino-americanos, uma certa aparição local de ortodoxias, algumas teorizações anti-mainstream, que foram formuladas nos países de origem, acabam perdendo sua característica, transformando-se em meras aplicações “oficiosas”, a produçnao acadêmica se subornidou, em muitos casos, à agenda internacional

consolidação nos 90 [75]

Nos anos 90, o campo se consolida em um processo de institucionalização. São desenvolvidas novas habilidades e gerado uma larga base empírica, além de ter aumentado a visibilidade internacional em torno dos estudos CTS da America Latina. Porém, parece não haver tido uma dinâmica de desenvolvimento teórico conceitual correspondente ao aumento da produção.

complexidade atual [76]

No atual estado das CTS, os investigadires não conseguem dar conta da complexidade atual. Globalização, abertura política e social, integração regional, etc. Ainda que possam apontar critérios sobre “o que não fazer”, não tem força para propor priorizar e definir metas políticas concretas.

riscos a serem evitados no futuro [77]

-Aplicar criticamente marcos teóricos e metodologias elaboradas sob outros contextos sem submeter-los à análise de sua adequação nos objetos de investigação locais

KREIMER, Pablo THOMAS, Hernán (2004). Un poco de reflexividad o De onde venimos? Estudiossociales de la ciencia y la tecnologia en America Latina. In Producción y uso social de conocimentos. Estudios de Sociologia de la ciencia y la tecnologia en America Latina. Bernal, Buenos Aires: Universidad Nacional de Quilmes Editorial - 5

-Não estabelecer uma distanciamento do objeto estudado.

-
Desenvolver estudos de caso baseados apenas em nossas premissas empíricas
-
Desenvolver análises que não contribuem para aprofundar nosso conhecimento sobre a produção e o uso de conhecimentos em nossas sociedades.
-
Considerar que as condições locais estão descoladas do contexto global
-
Considerar que as condições globais explicam nossa dinâmica local.

inutilidade [79]

Segundo Leonardo Vaccarezza, os estudos CTS, de forma geral contribuíram pouco ou nada para a sociedade. Isto porque se mantiveram ilhados e impactaram pouco.

imaturidade do CTS [80]

Um dos motivos que podemos assinalar para a baixa penetração das idéias CTS nas políticas públicas na América Latina é a própria imaturidade do campo, que, até então, está mais preocupado em manter-se como um campo do conhecimento sólido, manter sua autonomia

comparação com EUA e Europa [80]

Em comparação com os EUA e co a Europa, a América Latina teve uma participação muito menor em relação às políticas públicas. Uma das explicações pode ser a escassa ou mesmo nula atenção que as disciplinas em torno das ciências políticas dão às políticas de ciência, tecnologia e cultura.

Modalidades de institucionalização do CTS [81]

Segundo Steve Fuller, existem duas grandes correntes dos estudos sociais da ciência. Um, denominado “alto clero” define-se com maiores pretensões acadêmicas, tanto teóricas quanto metodológicas, e normalmente seguindo correntes construtivistas. Outra, denominada “baixo clero” é definida como questionadora do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, desde o movimento hippie até hoje.

Na América LAtina, a maior parte dos movimentos sociais e políticos têm tido uma atitude mais celebratória em relação à ciência e tecnologia, tendo-as como ícones da modernidade. Atualmente, parece que na América Latina temos uma aproximação maior com o “Alto Clero” e suas idéias academicistas.

reflexão [82]

Vaccarezza nos faz a seguinte pergunta: “Qual deveria ser o compromisso do campo CTS com a região? ”

O caso do pintor daltônico - Oliver Sacks

Maio 1st, 2008

Ótimo texto, explicando que as cores são formadas no cérebro, e não nos olhos. Abaixo, a resenha:

SACKS, Oliver. O caso do pintor daltônico. In: SACKS, Oliver. Um antropólogo em Marte. São Paulo: Cia das Letras, 1995

daltonismo [21]

O daltonismo é uma deficiência congênita, decorrentes de defeitos nos cones do olhos

início [21]

O texto inicia-se com a história de Jonathan I, artista de 65 anos que bateu o carro e, graças a um traumatismo, perdeu a capacidade de distinguir cores.

cientistas da cor [22]

Os maiores “descobridores” da cor, sejam filósofos, artistas ou cientistas, foram Goethe, Spinoza, Schopenhauer, Young, Maxwell, Helmholtz e, claro, Newton, que descobriu a decomposição da luz branca.

papel do cérebro na visão [22]

Como o pintor não tinha problemas nos olhos (afinal bateu a cabeça), pode-se enxergar as cores como uma “construção cerebral” e algo que constrói as cores dentro do cérebro foi afetado

alexia [23]

Depois da batida (por 5 dias), o paciente não conseguia ler. Via os caracteres como se fossem gregos ou hebraicos, ou seja, entendia que deveria haver algum significado ali mas não compreendia o que estava escrito. Essa alexia durou 5 dias.

amnésia [23]

O Sr. I., após o choque foi a delegacia e descreveu o acidente. Algumas horas depois não se lembrava mais sequer que tinha batido o carro.

sujeira [24]

O Sr. I., depois da descoberta da perda das cores, começou a perceber como tudo estava com um aspecto sujo, desagradável, graças a ausência de cor

cor-de-rato [25]

O Sr. I. começou a ter problemas de toda ordem, haja vista que percebia todas as pessoas com cor-de-rato. Até sua mulher ele não conseguia encarar.

linguagem [28]

O Sr. I., afirmou que era impossível qualquer pessoa ter a mesma experiência dele, e que até mesmo a linguagem não conseguia demonstrar o que ele estava sentindo e como as cores realmente se pareciam para ele. Não era “cinza”e nem “chumbo”. Era outra coisa indizível.

sala cinza [28]

O pintor criou uma sala inteiramente cinza para que as outras pessoas pudessem ter uma noção melhor do seu trabalho, ou seja, para que pudessem ter a mesma experiência.

fotografia [28]

Para o pintor, a fotografia preto-e-branco não incomoda porque ela é uma representação do mundo. Você pode sempre desviar o olhar quando quiser.

tentativa de pintar [29]

Ainda que achasse que sabia usar as cores “de memória”, os quadros do pintor mostravam-se incompreensíveis. Só fizeram sentido quando um amigo bateu uma foto PB do quadro. Então puderam perceber os contornos. Mesmo assim, as cores pareciam incorretas

SACKS, Oliver. O caso do pintor daltônico. In: SACKS, Oliver. Um antropólogo em Marte. São Paulo: Cia das Letras, 1995 - 2

enxaquecas e sonhos [29]

Até mesmo suas enxaquecas e seus sonhos foram privados de cor, uma vez que a cor é construída no cérebro.

perda da memória da cor [30]

O pintor deu-se conta que não conseguia mais lembrar das cores. Todo o seu passado cromático era apenas um registro histórico. Ele mesmo não lembrava das cores dos seus próprios quadros.

sol em preto e branco [31]

Após ver um nascer do sol em preto em branco, o artista decidiu pintar assim. Afinal, quem, além dele, teria visto um nascer do sol com raios pretos? Quando ele o pintou, deu o nome do quadro de Aurora Nuclear

Retomada em preto-e-branco [32]

Aos poucos, o pintor foi alterando sua maneira de pintar, e conseguiu trabalhos muito bons em preto e branco, refletindo o que ocorria em sua vida particular, que começava a ganhar mais ânimo.

Newton e a decomposição da luz [35]

Newton decompôs a luz com um prisma em 1666, em 1802, Thomas Young postulou que apenas três tipos de cores eram suficientes, mas esta idéia pessou desapercebida. 50 anos depois (1852) Hermann von Helmholz ressuscitou a idéia de Young e a aperfeiçoou, dizendo que a cor era uma expressão direta de comprimentos de ondas de luz absorvidas por cada receptor, restando ao sistema nervoso apenas traduzir um para o outro “a luz vermelha estimula fortemente as fibras sensíveis ao vermelho e fracamente as outras duas, dando a sensação de vermelho”

mundo inconstante [38]

Segundo o Sr. I, ele agora vivia num mundo inconstante, cheio de nuances que se davam por uma breve mudança na iluminação, diferente do mundo estável das cores que ele via antes.

Helmholtz e a cor [39]

Helmholtz se preocupa com o fato de, apesar de a luz variar muito, continuamos vendo, por exemplo, uma maça vermelha. para ele, apesar da luz, o ser humano possui um “ato de discernimento” das cores.

Goethe e a cor [39]

Goethe, intrigado com a incompatibilidade da lei newtoniana, que diz que cada onda possui um comprimento específico, e sua percepção das combras, começa a declarar que “a ilusão de óptica é a verdade ótica”. Segundo ele, o cérebro imaginativo cria mundos, imagens e ilusões. Na realidade, o que ele estava dizendo era: “A ilusão visual é uma verdade neurológica”. Apesar de seus contemporâneos refutarem a sua teoria da cor (dizendo que era um capricho de um grande poeta), Hemholtz a ressuscitou, fazendo várias palestras sobre a vida e a obra de Goethe e as cores.

Clerk Maxwell e a fotografia colorida [40]

Ckerk Maxwell, contemporâneo de Helmholtz, demonstrou com um pião que poderia formar cinza se o girasse. A partir daí, em 1861, sugeriu que a fotografia em cores poderia ser possível, bastando tirar 3 fotos com “cores separadas” e depois juntando-as e sobrepondo-as sobre uma tela, com o filtro correposndente (a imagem tirada com o filtro vermelho era projetada com a luz vermelha, e assim por diante)

Edwin Land e foto colorida [41]

Edwin land, criador da polaroid, certa vez tirou duas fotos preto e branco, em uma câmera de foco dividido, e depois aplicou dois filtros: um que deixava passar comprimentos de onda maiores (filtro vermelho) e outro deixando passar comprimentos mais curtos (filtro verde). A primeira imagem foi projetada com filtro vermelho e a outra com luz branca. Assim, conseguiu-se uma foto genuinamente colorida. Uma vez que as cores não estavam nas fotografias ou nas fontes de luz, concluiu-se que talvez fossem “ilusões” como a cor no sentido de Goethe. Na realidade, as cores eram construídas pelo cérebro.

SACKS, Oliver. O caso do pintor daltônico. In: SACKS, Oliver. Um antropólogo em Marte. São Paulo: Cia das Letras, 1995 - 3

determinação da cor [42]

Land mostrou que a determinação da cor não era local e nem absoluta, mas dependia do exame de toda a cena, e também da comparação entre a composição do comprimento de onda da luz refletida a partir de cada ponto e da luz refletida do entorno. Assim, dava-se o “ato de discernimento” de Helmholtz.

Comprimentos de onda [46]

Quando o Sr. I. descrevia o mundo dizendo que as coisas “flutuavam” graças à iluminação, ele descrevia o mundo em comprimentos de onda

causa do problema [47]

Com os exames, ficou determinado que o problema que afetava o pintor estava na área V4, mais precisamente no córtex secundário. Um pedaço do cérebro do tamanho de um grão de feijão.

comprimentos de onda II [47]

O Sr I. discriminava os comprimentos de onda, mas não conseguia traduzir tal visão em cores. O cérebro dele não conseguia construir a cor.

Conhecimento da cor [49]

Nossa visão de mundo perpassa pela cor. Sem ela, todo o nosso universo parece outro, bem como nosso conhecimento do mundo, nossa cultura e também a arte

transformação de valores [52-55]

Depois de algum tempo, o Sr. I acabou por redefinir sua vida, tanto no nível psicológico como no fisiológico e no estético. Sr. I. acabou por transformar seus valores. Mesmo porque, depois de certo tempo (mais de um ano) acaba-se por “esquecer” as cores. COm isso, acabou por se parecer demais com um daltônico congênito. Assim, acabou por se tornar notívago, já que as luzes muito fortes o incomodavam e o crepúsculo o deixava mais à vontade. O Sr I., então, passou a entender que a sua visão estava “altamente refinada”, “privilegiada”, e que ele via um mundo de formas puras, sem o incômodo das cores. Ele poderia ver padrões sutis e texturas que normalmente ficam invisíveis por causa da cor. Cerca de três anos após o acidente, um médico sugeriu que ele poderia voltar a ver as cores, educando outra parte do cérebro. O pintor negou a idéia

Instalações Interativas - Videocast Faber-ludens ep.01

Abril 21st, 2008

Eu e o Fred discutindo algumas interações em instalações. Esse videocast faz parte de uma série que irá (se tudo der certo) a cada 15 dias no site do Instituto Faber-Ludens

Janela da Alma, Espelho do Mundo

Abril 1st, 2008

Marilena Chauí - Janela da Alma, Espelho do Mundo in NOVAES, Adauto (org) “O olhar” São Paulo: Cia das Letras, 1998

Visão [32]

Existe uma crença ancestral de que a visão depende de nós, muito mais do que dependeria das coisas. Exemplo disso é que fechamos os olhos quando não queremos que determinada coisa exista (como um acidente, ou uma traição). Taí o ditado “O que os olhos não vêem o coração não sente”

Ilusão [32]

A ilusão carrega a esperança de uma visão verdadeira que corrigiria a ilusória, pois temos consciência da ilusão e da decepção

Alucinação [32]

A alucinação nos mostra que o mundo real está longe, e está sendo barrado pelos nossos próprios fantasmas e fantasias. Mas pode ser refeito se recobrarmos a razão.

cremos nas palavras [32]

“Falamos porque cremos nas palavras e nelas cremos porque cremos em nossos olhos: cremos que as coisas e os outros existem porque os vemos e que os vemos porque existem”

Olhar o invisível [32]

Nós dizemos: “Não olhe para trás”, ou “olhe para o futuro”, como se pudéssemos, de fato, olhar o invisível.

atenção às palavras [32]

Pouca atenção se dá às palavras usadas no dia-a-dia. Como “veja o que diz”, e, por vezes, quando queremos falar algo dizemos: “olhe aqui”

Olhar [33]

O olhar é fonte de alienação, é fonte de análise no olho-no-olho, é sentir o mundo. Nós cremos que a visão se faz em nós pelo que está fora e, ao mesmo tempo, se faz de nós para o que está fora. O olhar é “sair de si e trazer o mundo para dentro de si”. O termo “janela da alma” tem a idéia que o olhar coloca nosso interior para o mundo exterior.

Olho [33]

O olho tem uma grande representatividade. Como o olho gordo, Édipo cegando a si próprio, a medusa, a quem não se podia olhar.

audição [37]

Dos cinco sentidos, somente a audição (referida à linguagem) rivaliza com a visão do léxico do conhecimento. Os demais sentidos estão ausentes, ou trabalham como metáfora da visão. (algo como “beber uma idéia” ou “pegar o pensamento”)

visão como instrumento de investigação [38]

A visão é o sentido mais apto para a investigação, e é por isso que é o sentido que mais prazer nos causa. Sentimos prazer emconhecer e estudar as coisas. É enxergando que percebemos o discernimento das coisas, e nos permite ver as diferenças. A visão também é o mais rápido dos sentidos, projetando imagens no subconsciente que ficarão na memória para um fácil e rápido entendimento, com a maior fidelidade.

visão filosófica [40]

A filosofia indica que ou a visão depende das coisas (que são causas ativas do ver), ou depende dos nossos olhos (que fazem as coisas serem vistas)

olhar como cânone das percepções [40]

Um dos prováveis motivos pelos quais a visão usurpa os demais sentidos em relação à percepção, pode ser sentido na idéia de Merleau-Ponty, que afirmava que “ver é ter à distância”. O olhar pode apalpar as coisas, pousa sobre elas e entra nelas, porém não

Marilena Chauí - Janela da Alma, Espelho do Mundo in NOVAES, Adauto (org) “O olhar” São Paulo: Cia das Letras, 1998 - 2

se apropria. O olhar “resume” e ultrapassa os demais sentidos quando pode chegar ao objeto e voltar, sem alterações materiais.

medicina antiga [41]

Na madicina antiga, dizia-se “pensar é o passeio da alma” e essa aptidão ou impulso para sair de si denota um elo entre o olhar e o pensar. No renascimento, tinha-se os olhos como o “mais espiritual dos sentidos”

olhos [42]

Os olhos estão no limite entre a materialidade e a espiritualidade. Para os neoplatonicos, a “vista é o mais espiritual de todos os sentidos (…) capta as coisas longínquas com extraordinárias rapidez e por isso as coisas apreendidas por ela são convocadas mais facilmente por nós e mais eficazmente retemos na alma”

olhar e linguagem [45]

Não é apenas a cisnao entre o olhar e o mundo, e entre os olhos (do corpo) e os olhos (do espírito). A filosofia preparava também a cisão entre o olhar e a linguagem.

visão como paradigma do pensar [45]

Quando do nascimento da linguagem do conhecimento intelectual, a visão serviu como paradigma para o pensar. Fazendo da própria visão um juízo que põe o visível e o evidente e que esclarece porque a filosofia sempre teve tanto interesse pela ilusão.

experiências [45]

“Uma profunda mutação acontece quando possamos da experiência de ver - do olhar - à explicação racional dessa experiência - ao pensamento de ver - , quando passamos da percepção ao juízo.”

expulsão da linguagem ou do olhar [46]

Na cisão entre olhar e linguagem, ocorrem rivalidades entre ambos os grupos a “ciência como linguagem bem feita” expulsam o olhar. Já Descartes (e com ele todos os modernos) expulsa a linguagem.

ver e ouvir [47]

Ver lança-nos para fora. Ouvir, volta-nos para dentro. Segundo Platão, o verdadeiro motivo pelo qual temos visão e audição é estarmos destinados ao conhecimento.

importância da visão [47]

Graças à visão, concebemos o tempo, já que podemos ver dia e noite, meses e anos e, com essa distinção, a vista ajudou-nos a conceber o número. Com o número, chegamos à filosofia

desenvolvimento da inteligência [48]

O desenvolvimento da inteligência se faz pela memória e pela experiência. Ambas usam a palavra porque ela pode ser mantida e conservada. A visão é intransferível e efêmera. Mesmo assim, é a visão que é a privilegiada no momento do conhecimento.

Platão [49]

Platão separa corpo e alma, mas reafirma também e com maior intensidade a desconfiança com relação aos sentidos. Como os olhos vêem apenas simulacros, a verdadeira visão é aquela feita pelo intelecto

Reflexões [51]

“A reflexão do olhar é o espelho; a da alma, a natureza; e a natureza, as artes.” Essas reflexões são possíveis porque mundo, homem e arte são feitos da mesma coisa: os quatro elementos (terra, água, fogo e ar) e dos quatro humores (sangue, fleugma, bílis amarela e bílis negra). Segundo Leonardo DaVinci, A alma especula com os olhos.

Leonardo DaVinci [54]

Leonardo fala, no Tratado da Pintura, que a pintura é uma coisa mental, não uma coisa a ser apenas tratada pelos olhos.

Marilena Chauí - Janela da Alma, Espelho do Mundo in NOVAES, Adauto (org) “O olhar” São Paulo: Cia das Letras, 1998 - 3

telescópio [55]

Os olhos atrapalham a visão. Eles nos iludem, nis mentes e, depois da invenção do telescópio têm-se uma nova visão. O telescópio (objeto tecnológico) é a razão corrigindo o olhar, ensinando a ver, deixando claro que vários aspectos mundanos dificultam ao olho enxergar tudo o que há. O essencial do telescópio não é que aproxime ou aumente os objetos, e sim que transforme o próprio ato de ver. Depositando no aparelho o ato de conhecer.

teoria das ilusões [56]

Os olhos, então, não vêem tudo. Na perspectiva realista os olhos não vêem a res extensa e, na idealista, imaginam que ela exista realmente. Uma das ilusões visuais que provocam o interesse de Berkeley é a percepção da distância. Ele afirma que a distância é um dado tátil, e não um dado visual. Já Descartes se interessa pela ilusão das cores. Segundo ele, as cores não estão nas coisas, e sim nos nossos olhos, que não enxergam a realidade e sim os resultados subjetivos de causalidade reais invisíveis

percepção purificada [56]

A percepção é purificada ao extremo para dedicar-se às atividades intelectuais, e o olho passa a ser um operário do pensamento.

sujeito do olhar [57]

Quem é o sujeito do olhar? Modernos e idealistas responderão ser o intelecto, que enxerga idéias, conceitos e essências, e os vê como universalidades existentes desde todo o sempre e em parte alguma do visível. O olho intelectual é o puro sujeitos da observação, espectador absoluto que supõe ou que, no idealismo, põe uam multiplicidade plana de universalidades e individualidades.

as coisas [58]

“As coisas são configurações abertas que se oferecem ao olhar por perfis e sob o modo do inacabamento, pois nunca nossos olhos verão de uma só vez todas as suas faces.”

filosofia figurada da visão [59]

A “filosofia figurada da visão” impede que concebamos o olhar como operação intelectaul, colocando o mundo exterior como representação ou conceito. A visão de alguma coisa depende do julgamento de quem olha. Um quadro visto por um filósofo é diferente do visto pelo pintor que é diferente do visto pelo matemático.

pensar e ver [60]

Ver não é pensar, e pensar não é ver, mas sem a visão não pensamos, e sem o pensamento não vemos.

pintor [60]

A pintura eleva à última potência o delírio da visão. A pintura é a ruminação do olhar, é a capacidade do pintor de ver, rever, analisar e transmitir idéias com tintas.

Ideas, Máquinas Y Valores

Março 30th, 2008

Cutcliffe, Stephen H. Barcelona: Anthropos

compreensão do contexto social da tecnologia [7]

foi-se necessário, a partir dos anos 70, uma nova visão, agora crítica, das ciências, da tecnologia e do progresso, além de uma reflexão do papel da ciência e da tecnologia para a sociedade. A compreensão do contexto social da tecnologia

criação das CTS [7]

a criação das CTS nos anos 70 como uma busca de ciência, e também uma crítica ao determinismo tecnológico.

escritores [8]

Entre os escritores mais populares, temos Rachel Carson, que no seu livro Silent Spring alertou sobre os problemas com o DDT, Ralph Nader, um ativista dos direitos do consumidor que escreveu um livro denunciando o Corvair (modelo de carro). Já em 1972

o Clube de Roma fez um informe chamado Limits of Growth.

mudança de pensamento [8]

começou-se a pensar fora da idéia da ciência como redentora. Pensou-se o custo social das invençoes e dos aparatos tecnológicos.

conjuntura social [8]

a conjuntura do nascimento das CTS dá-se com o movimento de contra cultura norte-americano, com os protestos ante a guerra do Vietnã, a energia nuclear e o alto consumismo.

grupos ativistas [9]

A partir daí formaram-se vários grupos ativistas, a maioria reclamando dos efeitos nocivos das tecnologias no meio ambiente. Energia Nuclear, bioengenharia, aresosóis, transporte…

conferências [10]

A discussão amplia-se e várias conferências são feitas ao redor do globo, principalmente focadas no tema do meio-ambiente, como a Eco-92

Suécia [11]

Na suécia, o modelo foi oposto, ou seja, de cima para baixo, corporativo. Ali, em 1970 o parlamento sueco aprovou uma lei de codeterminação de vida laboral. Assim, os trabalhadores suecos poderiam participar mais ativamente das decisões no que se referia ao processo de trabalho, principalmente no que dizia respeito à tecnologia e trabalho.

Dinamarca [11]

Na Dinamarca, o sindicato dos trabalhadores começou, em 1970, a reivindicar o estudo sobre avaliação tecnológica e o plano de cultura política. Em 1985 foi criado por fim um conselho de tecnologia no parlamento dinamarques

Derek Price [11]

Na Inglaterra, o estudo de Derek de Sola Price, intitulado Little Science, Big Science, de 1963 impulsoinou os debates sobre tecnologia e sociedade.

agências reguladoras [11]

Foram, então, criadas diversas agências reguladoras. Para energia nuclear, para seguridade no trabalho, seguridade viária, etc. Todas elas com a clara intenção de abrir para a sociedade a discussão em torno do tema CTS

UCA [13]

A UCA, que tem como missão discutir os usos da ciência, é a maior organização mundial para estudos da ciência, e já contou com

250.000 membros após o final da segunda guerra. Atulamente conta com aproximadamente 70.000 membros.

Snow [14]

Snow descreveu a brecha entre a sociedade e a ciência, como duas culturas que não se comunicam. Para ele, cientistas e humanistas tinham um gap de informações e tolerância.

-2

intelectuais [14]

Críticos e intelectuais acabaram por levar à público a noção de que a ciência não é pura, e que está carregada de valores e que, em geral, eram problemáticas em termos de impacto social. Os principais teóricos estavam: Jcques Ellul, Lewis Mumford, C.P. Snow, Thomas Kuhn, John Ziman e J.D. Bernal

crescimento [14]

O aumento e fortificação das agências, institutos e publicações estudando o impacto das tecnologias na sociedade indicam o crescimento dos estudos CTS. A seriedade com que foram discutidas as questões ampliaram ainda mais a difusão da percepção dos males da tecnologia na sociedade, levando questões pertinentes às salas de aula e a criação de estudos interdisciplinares para estudar a questão.

primeiros estudos [15]

No início dos estudos CTS, eles eram basicamente críticos, principalmente como uma resposta aos anos de acriticidade advindos da idéia do milagre científico.

quarta geração [16]

No final dos anos 80, início dos 90, começa-se a ter uma interpretação contextualista, ou de construtivismo social e que conduziu a um ponto de vista no qual a ciência e a tecnologia são concebidas não tanto como produtos feitos apenas objetivamente, e mais como fatores causais socialmente determinados

terceira geração [16]

A terceira geração, nos anos 80, dedicou-se a criar programas de “alfabetização científica”, e a divulgar a CTS.

segunda geração [16]

A segunda geração de estudos CTS tentava levar o conhecimento a todos os estudantes. Esta geração começou a difundir uma interpretação da ciência com base nos processos sociais.

atualmente [17]

Atualmente as oscilações e as atitudes com respeito à ciência e tecnologia do campo CTS parecem ter se aplacado. A idéia de ser “pró” ou “contra” a ciência não ajuda muito. Hoje existe uma postura crítica, mas sem deixar de levar em conta o fato de a tecnologia realmente existir, e que ser contra não implica em não usar a tecnologia. temos sim que estudar cada vez mais os impactos da tecnologia e das ciências na sociedade, e difundir tal conhecimento. Atualmente CTS concebe a ciência e a tecnologia como projetos complexos que se dão em contextos históricos e culturais específicos. O concenso é que se a ciência e a tecnologia nos trazem benefícios, também nos trazem malefícios.

programas CTS [18]

o primeiro programa CTS foi o da universidade de Harvard, com financiamento de 5 milhões de dólares por parte da IBM em 1964. Seu principal objetivo foi fazer investigações sobre os efeitos da mudança tecnológica na economia, nas políticas públicas e na sociedade. O programa acabou se dissolvendo rapidamente graças a brigas internas. Em 69 surgiu o programa na universidade de Cornell, no mesmo ano o programa da universidade da Pennsylvania. Em 1972 na universidade de Lehigh surgiu o programa para estudar as perspectivas humanistas da tecnologia. Em 1977 o MIT começou a pesquisar Ciência, Tecnologia e Sociedade

definição CTS atualmente [18]

Atualmente CTS concebe a ciência e a tecnologia como projetos complexos que se dão em contextos históricos e culturais específicos. O concenso é que se a ciência e a tecnologia nos trazem benefícios, também nos trazem malefícios

O Design no dia-a-dia - Capítulo 6 – Os desafios do design

Março 21st, 2008
Norman, Donald A. – O design do dia-a-dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2006 - à venda aqui

174 - O design é testado, encontram-se erros, arruma-se, testa-se novamente e assim vai até que a energia e /ou os recursos se esgotem. É por isso que o design evolui.

175 - No design que evolui, as características ruins são modificadas até ficarem boas, enquanto as boas são mantidas. O termo técnico para isso é hill-climbing

175 - O problema atual é a falta de tempo para a depuração completa de um produto. O mundo capitalista não pode esperar até que algo fique realmente 100% até chegar às lojas.

176 - Existe outro problema. Cada marca, cada empresa, deseja ter sua “assinatura” no produto. Fica então difícil de conseguir uma homogeneidade que assegure a evolução.

177 - O mercado exige velocidade e novidade.

182 - Uma vez que se consegue obter um produto satisfatório, mudanças posteriores podem ser contra-producentes.

187 - Uma parte importante e muitas vezes negligenciada do processo de design é o estudo de como exatamente os objetos projetados deverão ser usados.

188 - Designers quase sempre pensam em si próprios como usuários típicos. Não são.

190 - Muitas vezes, também, o cliente não é um usuário comum.

195 - A “pessoa padrão” não existe. Com isso, tudo fica mais difícil de ser criado, uma vez que tenta-se com apenas um design, atingir a maior gama possível de pessoas.

198 - Talvez uma das soluções seja a flexibilidade dos projetos. Coisas que podem ser ajustadas e, assim, atingir a maior gama possível de pessoas.

200 - O designer também deve estar preparado para as pessoas que não pensam na hora de fazer as coisas, principalmente por estarem distraídas e, com isso, podem estragar o objeto ou mesmo sofrer um acidente.

206 - Um dos maiores problemas de design é chamado de “creeping featurism”, que é a inclusão de novos recursos e características em um equipamento, o que resulta em excesso de coisas (por muitas vezes inúteis)

207 - Existem duas maneiras de evitá-lo. Uma é o comedimento. Parar de colocar tanta coisa no projeto. E a outra é a organização. Quanto mais organizada está a parte visual, mais coisas podemos colocar nela (sem exagerar)

208 - Outro problema do designer é sentir-se tentado a idolatrar a complexidade. Comprar algo mais caro e com mais funções apenas pelo prazer de ter o melhor, o mais caro ou o mais tecnológico.

210 - A comunidade de designers raramente é chamada para ajudar no projeto de produtos de computador.

210 - A natureza abstrata do computador constitui um desafio adicional ao designer.

210 - Tornar o sistema mais fácil de usar e de compreender é um esforço adicional na criação de softwares.

216 - Um método importante  de tornar os sistemas mais fáceis de aprender e usar é torna-los exploráveis, ou seja, encorajar o usuário a fazer experiências e aprender as possibilidades através da exploração ativa. As pessoas aprendem melhor assim: Apertando botões e vendo o que acontece.

216 -  Para que o sistema seja explorável, é necessário que:
Em cada estado do sistema, o usuário tem que ver prontamente e ser capaz de fazer todas as ações permissíveis.
O efeito de cada ação deve, ao mesmo tempo, ser visível e fácil de interpretar.
As ações não devem implicar custos. As ações devem ser reversíveis.

O Design no dia-a-dia - Capítulo 5 – Errar é humano

Março 19th, 2008
Norman, Donald A. – O design do dia-a-dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2006 - à venda aqui

135 – As pessoas toleram quando outra pessoa erra. Mas toleram muito menos quando um equipamento erra.

135 – Existem duas formas de erro. Os lapsos, que são ações subconscientes cuja inteção é satisfazer nossas metas, e os enganos, que resultam de deliberações conscientes.

135 – Nossas percepções e generalizações ajudam na maioria das vezes, mas também induz-nos ao erro.

135 – Falsas generalizações podem ser mais difíceis de descobrir e muito mais de eliminar.

136 – Lapsos são sempre pequenas coisas: Mexeu a coisa errada, ou esqueceu de apertar um botão. Por isso, são fáceis de descobrir por meio de monitoração. Já os enganos são mais difíceis de se descobrir, afinal, a ação tomada deveria ser a apropriada.

136 – Os lapsos são mais freqüentes quando já estamos habituados à tarefa. É difícil ter um lapso quando se está aprendendo.

137 - Tipos de lapso:
•    Erro de captura – Quando desejamos fazer algo e nos descobrimos fazendo outra coisa, apenas porque o início da ação é igual. Por exemplo, ir para a sala ligar o rádio e sem querer, ligar a tv.
•    Erro de descrição – A ação que se desejava é muito similar a outras ações possíveis. Por exemplo, colocar pimenta num sanduíche porque ambos os frascos (pimenta e ketchup) são vermelhos.
•    Erro com base em dados – Muito do nosso comportamento é automático. Porém, algumas vezes, interpretamos erroneamente esses dados. Por exemplo, quando tentamos tirar o cabelo dos olhos e na verdade é um inseto.
•    Erro de ativação associativa – Erros que ocorrem pela associação entre pensamentos e idéias. Quando você pensa em algo que não poderia dizer e, por isso, acaba dizendo.
•    Erro de perda de ativação – Quando se esquece o que tem que fazer. É o famoso “esquecimento”.
•    Erro de modo – Ocorrem sempre em artefatos que têm mais de um controle por botão. Como um relógio digital, ou uma calculadora científica.

143 – Dois tipos de lições de design podem ser estudados: um para impedir os lapsos antes deles ocorrerem e outro para detecta-los e corrigi-los quando ocorrem.

145 – Quando você constrói um mecanismo que é tolerante a erros (como a lixeira do PC) as pessoas passam a confiar nele. Às vezes, até demais.

146 – O pensamento humano está mais enraizado na experiência passada do que nas deduções lógicas.

150 – Para a memória, todas as experiências semelhantes acabam por fundir-se em uma só. Ao passo que uma experiência discrepante fica armazenada individualmente. Por isso lembramos de acontecimentos bizarros e esquecemos o que fizemos ontem.

150 – Não importa quantas vezes você usou determinado aparelho corretamente. A única vez que você se atrapalhou é a que virá à sua mente.

151 – Estrutura das tarefas.
•    Estruturas profundas e amplas – Como um jogo de xadrez, onde na 4ª jogada já há mais de 30.000 possibilidades / escolhas.
•    Estruturas rasas – Como a escolha de uma cor de um carro. Existem umas 10 e ponto.
•    Estruturas estreitas – Como dar partida em um carro. Você tem uma série de ações a tomar, mas não precisa pensar em nenhuma escolha.

155 – As tarefas cotidianas são, em geral, estruturas rasas ou estreitas. As estruturas profundas e amplas são atividades não cotidianas.

156 – Atividades recreativas devem ser amplas e profundas, pois nós as fazemos quando temos tempo e vontade de despender o esforço necessário a elas.

156 – Muito do comportamento humano faz-se subconscientemente, sem que exista percepção consciente e nenhuma inspeção disponível.

159 – Tendemos a confundir o acontecimento raro com o freqüente.

160 – Todo erro (ou a maioria deles) vistos à posteriori parecem completamente previsíveis e óbvios.

161 – As pressões sociais também induzem ao erro. Ninguém desligaria uma usina nuclear para verificar algo. É muito caro e, com certeza, se não fosse nada, a pessoa seria demitida.

163 – Os designers deveriam pensar no erro antes de projetar seus aparatos. Coisas que designers deveriam fazer:
•    Compreender as causas dos erros e minimiza-los através do design
•    Tornar possível reverter as ações. “Desfazê-las.”
•    Tornar mais fácil descobrir os erros que ocorrem
•    Mudar de atitude em relação aos erros. Pensar no usuário como alguém  que comete erros.

167 – Existem mecanismos de força que impedem as pessoas de cometerem erros. Interlocks, lockins e lockouts. Interlocks são sistemas que obrigam as operações a se efetuarem na ordem correta. Já os lockins mantém uma operação ativa, que impede alguém de interrompê-la antes da hora. E os lockouts são mecanismos de fechamento automático.

173 – Os designers não deveriam pensar numa dicotomia simples entre os erros e o comportamento correto. Ele deveria prever a interação. Deveria compreender o esforço cooperativo entre pessoa e máquina.

O Design no dia-a-dia - Capítulo 4 - Saber o que fazer

Março 17th, 2008
Norman, Donald A. – O design do dia-a-dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2006 - à venda aqui

111 – A dificuldade de lidar com situações novas está diretamente relacionada ao numero de possibilidades

111 – Os problemas ocorrem sempre que há mais de uma possibilidade.

112 – Quando nos deparamos com algum objeto novo, dizemos o que fazer com ele através de duas possibilidades: comparação com algo previamente conhecido ou através de instruções. Podemos ainda descobrir o que fazer através do conhecimento do mundo, ou seja, do design do objeto.

112 – Os affordances dos objetos são importantes para sinalizar como e porque são importantes e porque e o que fazer com os objetos.

114 – Pode-se ter mais sucesso na interpretação e execução de um objeto através de suas restrições:
•    Restrições físicas – Limitar as ações possíveis dos componentes do objeto.
•    Restrições semânticas – Aquelas que confiam no significado da situação para controlar o conjunto de ações possíveis. Elas contam com nosso conhecimento da situação e do mundo.
•    Restrições culturais – Aquelas que confiam nas convenções culturais aceitas, ainda que não afetem a operação física ou semântica do artefato. As questões culturais estão na raiz de muitos problemas que temos em nossas máquinas. Nem sempre existem convenções ou costumes aceitos para lidar com elas.
•    Restrições lógicas – Aquelas que confiam na capacidade lógica das peças ou dos equipamentos.

123 – O designer, ao criar múltiplos comandos para múltiplas funções (como uma fileira de interruptores de luz) deve dar um jeito de deixar claro qual comando faz o que.

124 – Uma solução é separar os mecanismos com códigos de forma. Um controle quadrado faz tal coisa, um controle redondo outra…

128 – Visibilidade: Deixe as coisas relevantes visíveis.

128 – Feedback: Dê a cada ação um efeito óbvio e imediato.

128 – Ao olharmos para um objeto, temos que decidir quais peças significam o estado do objeto, quais são decorativas, quais são úteis, quais são suporte para o funcionamento do objeto. Alem disso, tentamos descobrir quais peças são móveis e quais são fixas, como o objeto deve ser manipulado e quanto tamanho e peso o objeto pode suportar. Alem da sua utilidade, obviamente.

130 – Um dos desafios do bom design é deixar as coisas o mais visíveis possível, ajudando no mapeamento mental e consequentemente no uso do aparelho.

130 – A visibilidade faz toda a diferença.

132 – Outra coisa extremamente importante é um feedback visual. Para isso, nada melhor que um display, como videocassetes, aparelhos de DVD ou fornos de microondas.

132 – Quando é impossível tornar certas coisas visíveis, podemos fazer uso do som. Alertas sonoros.

133 – O som nos informa a respeito das coisas que não podemos ver. Como um telefone ocupado ou um ramal quando “consegue” linha.

133 – Os sons são úteis e podem desempenhar um papel muito importante nos computadores atuais. Só há de se ter cuidado para que o som não se torne “engraçadinho” em vez de útil.

O Design no dia-a-dia - Capítulo 3 – Conhecimento na cabeça e no mundo

Março 13th, 2008
Norman, Donald A. – O design do dia-a-dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2006 - à venda aqui

81 – Nem todo conhecimento exigido para algum comportamento precisa estar na cabeça. Ele pode ser distribuído, parte na cabeça, outra no mundo e ainda outra nas restrições impostas pelas coisas.

81 – Assim, um conhecimento impreciso pode gerar um comportamento correto. Os motivos são:
•    Grande parte das informações estão claras no mundo à nossa volta
•    Dificilmente exige-se, para um comportamento cotidiano, precisão e exatidão.
•    Existem as restrições naturais dos objetos a serem manipulados. Restrições físicas.
•    Existem restrições culturais. A sociedade desenvolveu inúmeras convenções artificiais, que governam o comportamento social aceitável.

82 – Graças a essas restrições o numero de opções para qualquer situação é reduzido.

82 – As pessoas podem minimizar o volume de conhecimento que tem que aprender, bem como podem organizar seu ambiente para dar apoio a seu comportamento.

83 – Uma pessoa, de cabeça, não lembra-se onde fica a letra “h” (por exemplo) num teclado. Isto porque no teclado existe esta informação. É uma informação que está no mundo.

84 – Quando as informações estão disponíveis no meio ambiente, as informações que você precisa armazenar na sua memória necessitam ser precisas o suficiente apenas para sustentar a qualidade de comportamento que você deseja.

84 – As pessoas funcionam com dois tipos de conhecimento. O saber que – Ou conhecimento declarativo – Que inclui o conhecimento de fatos e regras. E o saber como – conhecimento procedural – que é o conhecimento intrínseco e principalmente subconsciente, como tocar uma musica, por exemplo.

85 (nota rodapé) – Thomas Malone examinou como são organizadas as mesas de trabalho das pessoas e, assim, enquanto trabalhava na PARC / XEROX, ajudou a criar o conceito de desktop em interfaces gráficas.

87 – As pessoas só armazenam descrições parciais das coisas a serem lembradas. O restante está no mundo.

93 – Nós não confiamos em nossas memórias. Assim, colocamos o conhecimento no mundo. Anotamos em papeis, computadores, agendas…

95 – A memória é nosso conhecimento interno. Existe uma variedade de categorias de como armazenamos e recuperamos nossas informações. Aqui, três delas:
•    Memória para coisas arbitrárias – Onde os itens são arbitrários e sem qualquer significado ou relacionamento particular com outro item.
•    Memória para relacionamentos significativos – Os itens armazenados formam relacionamentos significativos entre si ou com coisas previamente conhecidas.
•    Memória por meio de explicação – O material não precisa ser lembrado: Pode ser deduzido graças a algum mecanismo explicativo.

95 – Conhecimento arbitrário pode classificar-se como o simples lembrar do que deve ser feito, sem nenhuma sustentação de uma compreensão do motivo ou de uma estrutura interna. É assim que aprendemos, por exemplo, o alfabeto.

96 – Isso é decorar (como a combinação de teclas CTRL+ALT+DEL), e como tal, o maior problema é a arbitrariedade. Temos que decorar e pronto, sem um bom motivo para entendermos porque tais comandos devem ser aplicados. Obviamente, para esquecer é facinho.

97 – O que simplifica a tarefa da memória é a estrutura sensata das coisas.

97 – Quando as coisas têm significado, podemos fazer melhores modelos mentais.

98 – Às vezes, torna-se necessário fazer relacionamentos entre as coisas, para desenvolver um melhor modelo mental. Interpretar comandos e ações é essencial. Mesmo assim, não pode ser confundido com compreensão.

98 – A compreensão, por sua vez, é a mais poderosa memória interna. A memória por meio da explicação.

99 – O uso de modelos mentais para deduzir o comportamento não é o ideal para tarefas que exijam rapidez. Uma dedução leva tempo e nem sempre esse tempo está disponível durante incidentes críticos.

99 – Quando os designers não fornecem modelos apropriados, os usuários os fazem. E muitas vezes inventam modelos inadequados.

100 – O poder dos modelos mentais é que eles permitem que você descubra o que aconteceria em situações novas. Ou, se algo dá errado, permite que você descubra o que aconteceu.

103 – As pessoas precisam, constantemente, lembrar-se das coisas. É uma característica do mundo moderno. Para isso existem secretarias, agendas e post-its.

105 – Rótulos são importantes e necessários, mas o uso correto de mapeamentos naturais pode minimizar a necessidade deles. Sempre que rótulos parecerem necessários, considere a possibilidade de outro design.

108 – A usabilidade não costuma ser um critério durante o processo de compra. Alem disso, a menos que se consiga testar o equipamento num ambiente realista, difilmente perceberá suas dificuldades.

108 – Cada vez que percebemos um conhecimento presente no mundo, temos a tendência de perdê-lo em nossa cabeça. O conhecimento do mundo acaba atuando como seu próprio lembrete.

108 – O conhecimento no mundo é mais fácil de aprender, mas quase sempre mais difícil de usar.

O Design no dia-a-dia - Capítulo 2 – A Psicologia das ações do cotidiano

Março 11th, 2008
Norman, Donald A. – O design do dia-a-dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2006 - à venda aqui

58 – Com freqüência as pessoas tendem a se sentirem culpadas quando algo não funciona. Quanto mais trivial é a tarefa, mais elas se culpam

60 – Se um erro é possível, alguém o cometerá. O designer deve presumir que todos os erros possíveis vão ocorrer, logo, deve minimizar ao máximo a possibilidade de erro e seus efeitos. De preferência os erros deveriam ser reversíveis.

62 – Nossos modelos mentais e conceituais resultam da nossa tendência a formular explicações para as coisas.

62 – Baseamos nossos modelos em qualquer conhecimento que tenhamos, seja ele real ou imaginário, ingênuo ou sofisticado.

64 – Uma coincidência é o bastante para por em movimento as rodas causais.

65 – A atribuição pela falha nem sempre é colocada em si próprio. Às vezes, tem-se uma reação causal que desperta essa culpa. “Se algo pára de funcionar é porque antes eu fiz tal coisa”. O que praticamente nunca é verdade. É como dizer “uma vez o dreamweaver falhou porque eu acendi a luz ao mesmo tempo”.

65 – Um dos principais motivos para essa atribuição de culpa errônea é a falta de informações para fazer um julgamento.

65 – Quando algo simples não funciona, atribui-se a responsabilidade a si próprio. Mas como é algo simples demais, as pessoas tendem a não comentar o assunto, para não parecerem ridículas, e com isso cria-se uma conspiração de silêncio, e nunca chegando a estudar de quem realmente é a culpa.

70 – A maioria das nossas explicações são baseadas em analogia com uma experiência anterior, que, em geral, não serve para o modelo atual.

71 – Para conseguir que lago seja feito, você tem que começar com alguma noção do que é desejado. Então, você precisa fazer algo, tomar uma atitude. Por último, você verifica se o objetivo foi alcançado.

72 – Para atingir uma meta, ela tem que ser transformada em  algo tangível. Em geral, uma meta é algo vago. “Arranjar um emprego” é uma meta. Mas nada te diz como fazer isso. Para atingir uma meta, são necessárias intenções. Uma intenção que, junto com tantas outras, levará à meta.

72 – Já as intenções são subdivididas em uma série de ações, como “comprar o jornal”, “abrir o jornal”, “procurar nos classificados”, etc.

72 – O ato de sair de casa, chegar à banca e efetivamente comprar o jornal é chamado execução.

73 – Existem, então, sete estágios de ação: um para a meta, três para a execução e três para a avaliação:
•    Formalizar a meta
•    Formalizar a intenção
•    Especificar a ação
•    Executar a ação
•    Ter a percepção do estado do mundo
•    Interpretar o estado do mundo
•    Avaliar o resultado

73 – Essa estrutura é, obviamente, aproximada. Por vezes é mais simples e muitas vezes mais complexo.

74 – Muitas tarefas cotidianas são “oportunistas” em vez de planejadas. Ao ir comprar um jornal posso “aproveitar” e pegar as roupas da lavanderia. Se não fosse comprar o jornal, essa tarefa permaneceria sem ser feita. Só no caso de tarefas cruciais dedicamos esforços especiais.

77 – Às vezes, entre a ação metal e a ação física ao realizar determinada tarefa, existem lacunas. Essas lacunas refletem um aspecto da distância entre as representações mentais de uma pessoa e os componentes físicos do ambiente. Nem sempre você “sabe” mexer com aquilo que “acha que sabe” . O modelo mental é diferente do modelo físico das coisas.

77 – Pode-se esconder essas lacunas através do maquinário. Em um vinil, via-se seu mecanismo, e atribuía-se ao operador saber como escolher, manualmente, cada faixa do álbum. Já no aparelho de CD, esta operação ficou à cargo da máquina, preenchendo a lacuna de precisão de escolha de faixas.

77 – Já a lacuna de avaliação é quando olhamos um equipamento e nada ali nos informa como usa-lo, ou nos informa mal.

79 – Princípios do bom designer:
•    Visibilidade
•    Bom modelo conceitual
•    Bons mapeamentos
•    Feedback