Homens do Amanhã
Acabei de ler um dos livros mais legais sobre quadrinhos e cultura de massa que já pus a mão: Homens do Amanhã, de Gerard Jones é um primor.
Nele, o autor revela como foram forjadas as principais bases dos chamados “comics” norte-americanos, isso tudo tendo como base a invenção de dois nerds (ou geeks, como no livro): O Superman.
Só que o livro vai muito além. Jones começa desde o século retrasado, onde imigrantes judeus foram expulsos de diversos países e foram parar em guetos norte-americanos. Entre eles, Harry Donelfeld e Jack Liebowitz. O primeiro, um fanfarrão que teve a maior indústria de entretenimento nas mãos e o segundo, seu contador. Jones descreve as histórias destes homens desde os tempos dos sindicatos até a formação do Time-Warner Group. Isso tudo passando por revistas pornográficas, crimes na lei seca e desvio de verbas. Um primor.
Junto à esses senhores, temos a história de Siegel e Shuster, dois judeus um pouco mais jovens que os anteriores mas igualmente sonhadores. Os homens que criaram o Superman. E, claro, foram surrupiados pelos dois camaradas supracitados.
A parte mais interessante, no meu ponto de vista, é ver como Jones não toma partido, não faz juízo de valor. Deixa o leitor decidir quem está certo e quem está errado nas decisões tomadas. Na maioria delas, Liebowitz e Donenfeld são vilões. Mas nem sempre. Se Jerry Siegel fosse um tanto menos orgulhoso, e muito menos tonto, com certeza não teria sido passado tão para trás.
Temos também no livro histórias do criador de Batman, Bob Kane, que nunca foi passado para trás e, muito por causa disso, passou muita gente para trás, temos a história do surgimento da Marvel comics e de como Stan Lee virou a cara dos quadrinhos na década de 60, histórias sobre os quadrinhos de terror e as franquias comicas da Disney.
Enfim, um grande livro, indispensável para quem, como eu, adora a nona arte. O único problema sério é a capa ridícula, que desestimula qualquer humano a comprar o livro. Sinceramente, se não lesse as resenhas sobre o livro, jamais o compraria, uma vez que a capa dá a entender que o livro é sobre gadgets, infância, ou qualquer coisa do gênero. A Conrad poderia ter caprichado mais na apresentação.