Introdução ao pensamento de Bakhtin

Fiorin, José Luiz
Introdução ao pensamento de Bakhtin – São Paulo – Ática, 2006 - à venda aqui


Algumas idéias sobre o pensamento de Bakhtin extraídos do livro.

•    Toda compreensão de um texto (não importando a qualidade dessa compreensão) implica em uma responsividade, e , por conseqüência, um juízo de valor. O leitor concorda ou discorda, total ou parcialmente, etc. Toda compreensão é carregada de resposta.
•    Quando se compreende um texto, tem-se o dialogo com o texto, mas também com o escritor e com outros textos similares. Com isso, pode-se dizer que a leitura de uma obra é social e também individual.
•    A compreensão de um texto, então, é a soma do texto em si, do juízo de valor do leitor e a soma de todos os demais textos já lidos pelo leitor.
•    Bakhtin negava as diferenças entre cultura popular e cultura erudita. Importante pela questão da cultura popular dos quadrinhos e para amarrar com as idéias de Walter Benjamin.
•    A teoria da superestrutura para Bakhtin é que há uma dissociação entre o mundo da teoria e o mundo da vida. O mundo da teoria é o mundo das generalizações. O mundo da vida é o da historicidade viva, onde seres únicos realizam atos irrepetíveis. Ambos os mundos são incomunicáveis entre si.
•    Dialogismo é o fenômeno que ocorre em todo e qualquer discurso, é a orientação natural de qualquer discurso vivo, em qualquer direção, um discurso se encontra com o discurso de outra pessoa.
•    Todos os processos de comunicação independentemente de sua dimensão, são dialógicos.
•    Isso quer dizer que o enunciador, para constituir um discurso, leva em conta o discurso de outrem, que está presente no seu. Por isso, todo discurso é inevitavelmente ocupado, atravessado, pelo discurso alheio. O dialogismo são as relações de sentido que se estabelecem entre dois enunciados.
•    O real apresenta-se para nós sempre semioticamente, ou seja, linguisticamente.
•    Um objeto qualquer do mundo mostra-se sempre perpassado por idéias gerais, por pontos de vista, por apreciações de outros
•    Bakhtin diz que os sons, as palavras e as orações são repetíveis, mas os enunciados, ou o momento em que eles são ditos, não é repetível. Assim, propõe a translinguística ou a metalingüística (que são sinônimos)
•    Um enunciado não existe fora do dialogismo. No enunciado estão presentes ecos e lembranças de outros enunciados.
•    As unidades da língua não têm autor,uma vez que qualquer um pode falar uma palavra. Já um enunciado tem um autor: “Fulano disse que…”
•    Primeiro conceito de dialogismo: Todo enunciado é dialógico. O dialogismo é o modo de funcionamento real da linguagem, é o princípio constitutivo do enunciado. Todo enunciado constitui-se a partir de outro enunciado, é uma réplica a outro enunciado. Portanto, nele ouvem-se sempre, ao menos, duas vozes. Mesmo que elas não se manifestem no fio do discurso, estão aí presentes. Um enunciado é sempre heterogêneo, pois revela duas posições. A sua e aquela que é sua oposição.
•    Para Bakhtin, a maioria das opiniões dos indivíduos é social, porém o dialogo não é totalmente sujeito aos discursos sociais, ou não haveria liberdade. Para Bakhtin, cada ser humano é social e individual.
•    Segundo conceito de dialogismo: Incorporação pelo enunciador da voz ou das vozes de outros no enunciado. Neste caso, o dialogismo é uma forma composicional.
•    Bakhtin diz que há duas maneiras de inserir o discurso do outro no enunciado:
a.    Discurso objetivado, onde é abertamente citado o discurso alheio.
b.    Discurso bivocal, onde não há separação muito nítida do enunciado citante e do citado. Possui um dialogismo interno.
•    Conceito de Intertextualidade: O discurso literário não é um ponto, um sentido fixo, mas um cruzamento de superfícies textuais, um dialogo de várias escrituras, um cruzamento de citações. Intertextualidade foi designado por Júlia Kristeva, em 1967, e, em suma, é a mesma coisa que dialogismo, porém com um nome diferente (e de mais fácil assimilação). Quem difundiu bastante esse termo foi Roland Barthes.
•    Terceiro conceito de Dialogismo: A subjetividade é constituída pelo conjunto de relações sociais de que participa o sujeito. Para Bakhtin o sujeito não é submisso às estruturas sociais, nem é uma subjetividade autônoma em relação à sociedade.
•    Como a realidade é heterogênea, o sujeito não absorve apenas uma voz social, e sim várias. Portanto, o sujeito é constitutivamente dialógico. Seu mundo interior é constituído de diferentes vozes em relações de concordância ou discordância.

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