O Design no dia-a-dia - Capítulo 3 – Conhecimento na cabeça e no mundo
Norman, Donald A. – O design do dia-a-dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2006 - à venda aqui
81 – Nem todo conhecimento exigido para algum comportamento precisa estar na cabeça. Ele pode ser distribuído, parte na cabeça, outra no mundo e ainda outra nas restrições impostas pelas coisas.
81 – Assim, um conhecimento impreciso pode gerar um comportamento correto. Os motivos são:
• Grande parte das informações estão claras no mundo à nossa volta
• Dificilmente exige-se, para um comportamento cotidiano, precisão e exatidão.
• Existem as restrições naturais dos objetos a serem manipulados. Restrições físicas.
• Existem restrições culturais. A sociedade desenvolveu inúmeras convenções artificiais, que governam o comportamento social aceitável.
82 – Graças a essas restrições o numero de opções para qualquer situação é reduzido.
82 – As pessoas podem minimizar o volume de conhecimento que tem que aprender, bem como podem organizar seu ambiente para dar apoio a seu comportamento.
83 – Uma pessoa, de cabeça, não lembra-se onde fica a letra “h” (por exemplo) num teclado. Isto porque no teclado existe esta informação. É uma informação que está no mundo.
84 – Quando as informações estão disponíveis no meio ambiente, as informações que você precisa armazenar na sua memória necessitam ser precisas o suficiente apenas para sustentar a qualidade de comportamento que você deseja.
84 – As pessoas funcionam com dois tipos de conhecimento. O saber que – Ou conhecimento declarativo – Que inclui o conhecimento de fatos e regras. E o saber como – conhecimento procedural – que é o conhecimento intrínseco e principalmente subconsciente, como tocar uma musica, por exemplo.
85 (nota rodapé) – Thomas Malone examinou como são organizadas as mesas de trabalho das pessoas e, assim, enquanto trabalhava na PARC / XEROX, ajudou a criar o conceito de desktop em interfaces gráficas.
87 – As pessoas só armazenam descrições parciais das coisas a serem lembradas. O restante está no mundo.
93 – Nós não confiamos em nossas memórias. Assim, colocamos o conhecimento no mundo. Anotamos em papeis, computadores, agendas…
95 – A memória é nosso conhecimento interno. Existe uma variedade de categorias de como armazenamos e recuperamos nossas informações. Aqui, três delas:
• Memória para coisas arbitrárias – Onde os itens são arbitrários e sem qualquer significado ou relacionamento particular com outro item.
• Memória para relacionamentos significativos – Os itens armazenados formam relacionamentos significativos entre si ou com coisas previamente conhecidas.
• Memória por meio de explicação – O material não precisa ser lembrado: Pode ser deduzido graças a algum mecanismo explicativo.
95 – Conhecimento arbitrário pode classificar-se como o simples lembrar do que deve ser feito, sem nenhuma sustentação de uma compreensão do motivo ou de uma estrutura interna. É assim que aprendemos, por exemplo, o alfabeto.
96 – Isso é decorar (como a combinação de teclas CTRL+ALT+DEL), e como tal, o maior problema é a arbitrariedade. Temos que decorar e pronto, sem um bom motivo para entendermos porque tais comandos devem ser aplicados. Obviamente, para esquecer é facinho.
97 – O que simplifica a tarefa da memória é a estrutura sensata das coisas.
97 – Quando as coisas têm significado, podemos fazer melhores modelos mentais.
98 – Às vezes, torna-se necessário fazer relacionamentos entre as coisas, para desenvolver um melhor modelo mental. Interpretar comandos e ações é essencial. Mesmo assim, não pode ser confundido com compreensão.
98 – A compreensão, por sua vez, é a mais poderosa memória interna. A memória por meio da explicação.
99 – O uso de modelos mentais para deduzir o comportamento não é o ideal para tarefas que exijam rapidez. Uma dedução leva tempo e nem sempre esse tempo está disponível durante incidentes críticos.
99 – Quando os designers não fornecem modelos apropriados, os usuários os fazem. E muitas vezes inventam modelos inadequados.
100 – O poder dos modelos mentais é que eles permitem que você descubra o que aconteceria em situações novas. Ou, se algo dá errado, permite que você descubra o que aconteceu.
103 – As pessoas precisam, constantemente, lembrar-se das coisas. É uma característica do mundo moderno. Para isso existem secretarias, agendas e post-its.
105 – Rótulos são importantes e necessários, mas o uso correto de mapeamentos naturais pode minimizar a necessidade deles. Sempre que rótulos parecerem necessários, considere a possibilidade de outro design.
108 – A usabilidade não costuma ser um critério durante o processo de compra. Alem disso, a menos que se consiga testar o equipamento num ambiente realista, difilmente perceberá suas dificuldades.
108 – Cada vez que percebemos um conhecimento presente no mundo, temos a tendência de perdê-lo em nossa cabeça. O conhecimento do mundo acaba atuando como seu próprio lembrete.
108 – O conhecimento no mundo é mais fácil de aprender, mas quase sempre mais difícil de usar.