O mundo Codificado

Flusser, Vilém – O mundo codificado São Paulo: Cosac Naify, 2007 - à venda aqui

Texto: Imagens nos novos meios – pg - 151

•    Uma imagem é uma mensagem, e como tal, tem um emissor que procura um receptor.
•    Para chegar ao receptor, é necessário transporte.
•    No início existia uma aproximação total do receptor, que dirigia-se para onde estava a imagem, como numa caverna ou na Capela Sistina
•    Mais tarde houve um transporte misto: As imagens iam para os museus e as pessoas saíam das suas casas para vê-las.
•    Mas também existe outro método, onde um indivíduo pode adquirir um corpo que transporte imagens e tornar-se receptor exclusivo dessa imagem.
•    Atualmente existem tecnologias que permitem que os receptores não precisem mais ser transportados (deslocarem-se). Essas imagens podem ser reproduzidas onde quer que o receptor se encontre, isoladamente, se necessário.
•    As imagens tornam-se cada vez mais transportáveis, e os receptores cada vez mais imóveis, isto é, o espaço político acaba se tornando cada vez mais supérfluo. Aqui podemos dizer que há a necessidade de refazer o espaço político da gibiteca.
•    Atualmente todas as mensagens (informações) podem ser copiadas e transmitidas para receptores imóveis.
•    Com isso tem-se uma revolução cultural, não apenas técnica, haja vista que agora o receptor não precisa mais distanciar-se do seu espaço privado para ser informado. Assim, o espaço público (político) se torna superficial.
•    Para poder administrar uma sociedade complexa é preciso antever o comportamento dessa sociedade.
•    As imagens muitas vezes servem de norte ao indivíduo, para que ele (a sociedade) possam orientar-se.
•    Cada publicação exige ser criticada pela sociedade, isto é, passa a ser integrada às informações acumuladas por aquele grupo.
•    Quanto mais difícil de se integrar à essas informações acumuladas, mais “original” e mais interessante é a publicação.
•    As pessoas pós-industriais passam seu “tempo livre” sendo programadas pelas imagens para funcionar como produtor e consumidor de coisas e de opiniões. Apenas “desligar” o equipamento não basta para sair dessa condição. Para tanto, é necessário (e praticamente impossível) segregar-se socialmente.
•    As imagens atuais tem a função de transformar os seus receptores em objetos.
•    Graças às imagens computadorizadas, elas podem ser transmitidas por um emissor a um receptor, onde são processadas e retransmitidas de volta.

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