O Design no dia-a-dia - Capítulo 1 – A psicopatologia dos objetos do cotidiano

Março 9th, 2008
Norman, Donald A. – O design do dia-a-dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2006 - à venda aqui

28 – Um dos princípios mais importantes do design é a visibilidade, onde as instruções, sejam elas ícones, palavras ou o simples mecanismo de ação do equipamento que devem estar “na cara” do usuário.
31 – Quando o equipamento precisa de instruções, estas têm que estar claramente explicadas. Uma instrução mal feita pode piorar ainda mais as coisas.

31 – Todos os equipamentos que promovem um tipo qualquer de operação deve mostrar um resultado visível dessa operação.

31 – Os aparelhos mais triviais, atualmente, como fogões, aparelhos de som, DVD… precisam necessariamente da leitura de seu manual. Sem isso, as pessoas memorizam apenas o mínimo óbvio para o aparelho funcionar.

31 – Apenas as coisas certas tem que estar visíveis ao usuário, para indicar quais peças usar e como. Tanto o excesso de visibilidade (como o painel de um aparelho de som) como a falta de visibilidade (como softwares muito complexos) prejudicam a utilização do equipamento pelo usuário.

33 – O termo “affordance” diz respeito às propriedades percebidas e reais de um objeto. Principalmente as propriedades fundamentais que determinam de que maneira o objeto poderia ser usado.

33 – Quando objetos simples precisam de imagens, rótulos ou instruções, o design falhou.

34 – Existem aproximadamente 20.000 objeto cotidianos. Cerca de 30.000 objetos prontamente identificáveis para um adulto.

37 – Um bom modelo conceitual nos permite prever o efeito de nossas ações.

40 – Por melhor e mais bem intencionado que seja o designer, ele nunca poderá estar junto ao seu usuário, logo, ele imagina que seu “modelo de design” seja idêntico ao “modelo de usuário“ na hora que o usuário for utilizar o equipamento. Se a “imagem do sistema” não for suficientemente clara, o usuário acabará com o seu  modelo mental (“modelo do usuário”) errado.

46 – Sempre que um equipamento possui um numero de ações possíveis maior do que o numero de controles, a tendência é haver dificuldade.

47 – O bom relacionamento entre o posicionamento do controle e o que ele faz torna fácil encontrar o controle apropriado para a tarefa específica desempenhada pelo controle.

47 – Mapeamento natural é o aproveitamento das analogias físicas e padrões culturais, que conduz à compreensão imediata.

48 – Um aparelho é fácil de usar quando o seu conjunto de ações possíveis são visíveis, e seus controles e displays exploram os mapeamentos naturais.

50 – Jamais esquecer o feedback, onde o equipamento deve dar ao usuário o retorno de informações sobre a ação que foi executada.

53 – O desenvolvimento de uma tecnologia tende a seguir uma curva de complexidade em forma de U: começa alta, cai para um nível confortável e baixo e depois torna a subir. Isso porque o início de um projeto (produto) é muito difícil. Quando os designers estão confiantes no que fazem, os equipamentos tornam-se confortáveis para serem feitos. Logo depois entram novas empresas no mercado e fazem revoluções na idéia original.

54 – Ponto interessante: Para que serve uma tecnologia que é complexa demais para ser usada?

55 – Quando o número de funções e operações exigidas excede o numero de controles, o design torna-se arbitrário, anti-natural e, consequentemente, mais difícil ao usuário.

56 – A mesma tecnologia que faz maravilhas e coloca mais funções para simplificar nossas vidas também acaba deixando a vida mais complexa por termos de buscar novos conhecimentos para usar-mos.

O Design no dia-a-dia (prefácio)

Março 7th, 2008
Norman, Donald A. – O design do dia-a-dia – Rio de Janeiro: Rocco, 2006 - à venda aqui

8 – Falhas de design podem levar a erro humano. Que pode levar à morte.

9 – Norman trabalhou na Apple e depois se juntou ao Jakob Nielsen para criar o Nielsen Norman Group.

11 – O design é um ato de comunicação, então o designer deve conhecer intimamente a pessoa que vai usar seu produto.

12 – Para compreendermos como usar as coisas, precisamos de modelos conceituais de como elas funcionam.

12 – Quando se projeta um controle, deve ser óbvio o seu funcionamento. O usuário sempre deve saber o que o controle faz. Norman chama isso de mapeamento natural.

13 – O equipamento sempre deve dar um feedback, indicando ao usuário o que está acontecendo, e evitando esforços desnecessários.

13 – Criar equipamentos onde as coisas só podem ser feitas de uma maneira. Colocando, assim, uma restrição ao seu uso errado.

13 – Quando um equipamento vem com instruções coladas nele, sobre como usa-lo, seu design é ruim.

16 – affordances – Um bom designer sempre se assegura que as ações apropriadas sejam visíveis, e as inapropriadas, invisíveis.

16 – A tecnologia muda rapidamente, mas as pessoas não.

20 – Muito do nosso conhecimento está exposto nas coisas cotidianas, e não nas nossas cabeças, armazenados. É como se aprendêssemos instantaneamente várias das coisas que usamos diariamente. Não memorizamos como as usamos. Simplesmente as usamos. Confiamos nelas.

22 – David Rubin – Duke University analisava o processo de lembrança da poesia épica.

Introdução ao pensamento de Bakhtin

Março 4th, 2008
Fiorin, José Luiz
Introdução ao pensamento de Bakhtin – São Paulo – Ática, 2006 - à venda aqui


Algumas idéias sobre o pensamento de Bakhtin extraídos do livro.

•    Toda compreensão de um texto (não importando a qualidade dessa compreensão) implica em uma responsividade, e , por conseqüência, um juízo de valor. O leitor concorda ou discorda, total ou parcialmente, etc. Toda compreensão é carregada de resposta.
•    Quando se compreende um texto, tem-se o dialogo com o texto, mas também com o escritor e com outros textos similares. Com isso, pode-se dizer que a leitura de uma obra é social e também individual.
•    A compreensão de um texto, então, é a soma do texto em si, do juízo de valor do leitor e a soma de todos os demais textos já lidos pelo leitor.
•    Bakhtin negava as diferenças entre cultura popular e cultura erudita. Importante pela questão da cultura popular dos quadrinhos e para amarrar com as idéias de Walter Benjamin.
•    A teoria da superestrutura para Bakhtin é que há uma dissociação entre o mundo da teoria e o mundo da vida. O mundo da teoria é o mundo das generalizações. O mundo da vida é o da historicidade viva, onde seres únicos realizam atos irrepetíveis. Ambos os mundos são incomunicáveis entre si.
•    Dialogismo é o fenômeno que ocorre em todo e qualquer discurso, é a orientação natural de qualquer discurso vivo, em qualquer direção, um discurso se encontra com o discurso de outra pessoa.
•    Todos os processos de comunicação independentemente de sua dimensão, são dialógicos.
•    Isso quer dizer que o enunciador, para constituir um discurso, leva em conta o discurso de outrem, que está presente no seu. Por isso, todo discurso é inevitavelmente ocupado, atravessado, pelo discurso alheio. O dialogismo são as relações de sentido que se estabelecem entre dois enunciados.
•    O real apresenta-se para nós sempre semioticamente, ou seja, linguisticamente.
•    Um objeto qualquer do mundo mostra-se sempre perpassado por idéias gerais, por pontos de vista, por apreciações de outros
•    Bakhtin diz que os sons, as palavras e as orações são repetíveis, mas os enunciados, ou o momento em que eles são ditos, não é repetível. Assim, propõe a translinguística ou a metalingüística (que são sinônimos)
•    Um enunciado não existe fora do dialogismo. No enunciado estão presentes ecos e lembranças de outros enunciados.
•    As unidades da língua não têm autor,uma vez que qualquer um pode falar uma palavra. Já um enunciado tem um autor: “Fulano disse que…”
•    Primeiro conceito de dialogismo: Todo enunciado é dialógico. O dialogismo é o modo de funcionamento real da linguagem, é o princípio constitutivo do enunciado. Todo enunciado constitui-se a partir de outro enunciado, é uma réplica a outro enunciado. Portanto, nele ouvem-se sempre, ao menos, duas vozes. Mesmo que elas não se manifestem no fio do discurso, estão aí presentes. Um enunciado é sempre heterogêneo, pois revela duas posições. A sua e aquela que é sua oposição.
•    Para Bakhtin, a maioria das opiniões dos indivíduos é social, porém o dialogo não é totalmente sujeito aos discursos sociais, ou não haveria liberdade. Para Bakhtin, cada ser humano é social e individual.
•    Segundo conceito de dialogismo: Incorporação pelo enunciador da voz ou das vozes de outros no enunciado. Neste caso, o dialogismo é uma forma composicional.
•    Bakhtin diz que há duas maneiras de inserir o discurso do outro no enunciado:
a.    Discurso objetivado, onde é abertamente citado o discurso alheio.
b.    Discurso bivocal, onde não há separação muito nítida do enunciado citante e do citado. Possui um dialogismo interno.
•    Conceito de Intertextualidade: O discurso literário não é um ponto, um sentido fixo, mas um cruzamento de superfícies textuais, um dialogo de várias escrituras, um cruzamento de citações. Intertextualidade foi designado por Júlia Kristeva, em 1967, e, em suma, é a mesma coisa que dialogismo, porém com um nome diferente (e de mais fácil assimilação). Quem difundiu bastante esse termo foi Roland Barthes.
•    Terceiro conceito de Dialogismo: A subjetividade é constituída pelo conjunto de relações sociais de que participa o sujeito. Para Bakhtin o sujeito não é submisso às estruturas sociais, nem é uma subjetividade autônoma em relação à sociedade.
•    Como a realidade é heterogênea, o sujeito não absorve apenas uma voz social, e sim várias. Portanto, o sujeito é constitutivamente dialógico. Seu mundo interior é constituído de diferentes vozes em relações de concordância ou discordância.

O mundo Codificado

Março 3rd, 2008
Flusser, Vilém – O mundo codificado São Paulo: Cosac Naify, 2007 - à venda aqui

Texto: Imagens nos novos meios – pg - 151

•    Uma imagem é uma mensagem, e como tal, tem um emissor que procura um receptor.
•    Para chegar ao receptor, é necessário transporte.
•    No início existia uma aproximação total do receptor, que dirigia-se para onde estava a imagem, como numa caverna ou na Capela Sistina
•    Mais tarde houve um transporte misto: As imagens iam para os museus e as pessoas saíam das suas casas para vê-las.
•    Mas também existe outro método, onde um indivíduo pode adquirir um corpo que transporte imagens e tornar-se receptor exclusivo dessa imagem.
•    Atualmente existem tecnologias que permitem que os receptores não precisem mais ser transportados (deslocarem-se). Essas imagens podem ser reproduzidas onde quer que o receptor se encontre, isoladamente, se necessário.
•    As imagens tornam-se cada vez mais transportáveis, e os receptores cada vez mais imóveis, isto é, o espaço político acaba se tornando cada vez mais supérfluo. Aqui podemos dizer que há a necessidade de refazer o espaço político da gibiteca.
•    Atualmente todas as mensagens (informações) podem ser copiadas e transmitidas para receptores imóveis.
•    Com isso tem-se uma revolução cultural, não apenas técnica, haja vista que agora o receptor não precisa mais distanciar-se do seu espaço privado para ser informado. Assim, o espaço público (político) se torna superficial.
•    Para poder administrar uma sociedade complexa é preciso antever o comportamento dessa sociedade.
•    As imagens muitas vezes servem de norte ao indivíduo, para que ele (a sociedade) possam orientar-se.
•    Cada publicação exige ser criticada pela sociedade, isto é, passa a ser integrada às informações acumuladas por aquele grupo.
•    Quanto mais difícil de se integrar à essas informações acumuladas, mais “original” e mais interessante é a publicação.
•    As pessoas pós-industriais passam seu “tempo livre” sendo programadas pelas imagens para funcionar como produtor e consumidor de coisas e de opiniões. Apenas “desligar” o equipamento não basta para sair dessa condição. Para tanto, é necessário (e praticamente impossível) segregar-se socialmente.
•    As imagens atuais tem a função de transformar os seus receptores em objetos.
•    Graças às imagens computadorizadas, elas podem ser transmitidas por um emissor a um receptor, onde são processadas e retransmitidas de volta.

A Ficção Científica nos Quadrinhos

Fevereiro 29th, 2008
Marco Aurélio Luchetti
São Paulo, GRD, 1991

Livro um tanto mal escrito e com problemas sérios de revisão, mas que busca traçar um panorama (às vezes com juízos de valores não muito interessantes) sobre a produção de quadrinhos de ficção científica.
A parte mais interessante é o who`s-who de criadores e quadrinhos. Temos, então, vários nomes, com datas de nascimento e nomes completos, em ordem relativamente cronológica. Estão no livro:

Phil Nolan e Dick Calkins – Buck Rogers (pg 15)
Chester Gould – Dick Tracy (pg 19)
William Ritt e Clarence Gray – Brick Bradford (pg 21)
Alex Raymond – Flash Gordon (pg 27)
Lee Falk – Mandrake (pg 37)
V.T. Hamlin – Brucutu (Alley Opp) (pg 43)
Jerry Siegel e Joe Shuster – Superman (pg 47)
Frank Godwin – Connie (pg 59)
Gibis de ficção científica da EC Comics e DC Comics – melhor ver em Homens do Amanhã (pg 61)
Listagem de gibis de ficção científica norte-americanos (pg 72)
Edgar Pierre Jacobs (pg 85)
Hergé – Tintim (pg 93)
Jean-Claude Forest – Barbarella (pg 98)
A Warren – Vampirella (pg 107)
Philippe Druillet (pg 117)
Moebius (pg 121)
Metal Hurland / Heavy Metal (pg 123)
Milo Manara (pg 129)
Paul Gillon (pg 133)
Ranxerox (pg 135)
Ficção científica produzida no Brasil (pg 137)
Data de lançamento de todas as revistas mencionadas no Brasil (pg 141)
Bibliografia de artigos (antigos) interessante.

Tienen Política los artefactos?

Fevereiro 27th, 2008
WINNER, Langdon (1985) Tienen Política Los Artefactos? Ciencia, tecnologia, sociedad e innovación, Organización de Estados Iberoamericanos para la Educación, la Ciencia y la Cultura [on-line] [cited 26 September 2004] Disponível na World Wide Web em: http://www.campus-oei.org/salactsi/winner.htm

•    No mundo, o que importa não é necessariamente a tecnologia, mas sim o sistema social e econômico por trás dela.
•    A tecnologia é apenas uma faceta do progresso humano, porém, é condicionada por ele. Não se pode ser ingênuo e acreditar que a tecnologia apenas pode salvar ou condenar qualquer pessoa ou sociedade.
•    A tecnologia pode ser vista, em alguns casos, como um complemento das teorias da determinação social da tecnologia. Essa perspectiva identifica certas tecnologias como fenômenos políticos em si mesmas.
•    Pode-se, com a tecnologia, alijar grupos inteiros de pessoas, ou abraça-las. Tudo depende das intenções políticas do idealizador das tecnologias
•    As tecnologias podem ser utilizadas de maneira que facilitem o poder, a autoridade e os privilégios de grupos determinados. Tomemos a TV, que pode promover um candidato e derrubar outro.
•    Alguns tipos de tecnologia requerem que seus meios sociais se estruturem de um modo determinado. Como pode-se construir uma usina nuclear sem a presença de físicos e de técnicos?
•    Uma bomba nuclear é um artefato técnico extremamente político. Mesmo que ela exista, existe uma hierarquia para usa-la.
•    Outras tecnologias predominantemente políticas são as de transporte e as de comunicação.

Educação e Tecnologia

Fevereiro 26th, 2008
BASTOS, João Augusto (1997) Educação e Tecnologia. Revista Educação & Tecnologia. [on-line] Curitiba, CEFET-PR. Volume 1, n° 1, julho, [cited 26 august 2004], pp 05-29. Disponível na World Wide Web em: http://www.ppgte.cefetpr.br/revista/vol1/art1.htm

•    A educação no mundo de hoje tende a ser tecnológica, e, consequentemente, exige entendimento e interpretação de tecnologias.
•    Neste contexto, a educação apresenta-se não como necessidade universal, mas como compreensão dos homens, dos fenômenos humanos e dos fatos, pois a sociedade moderna inclina-se fortemente para o trabalho industrial, correndo o risco de abandonar os fundamentos da própria vida.
•    É necessária uma postura critica em relação à tecnologia, para que o homem continue sendo homem e não sucumba. A educação, por mais tecnológica e profissionalizante não pode se esquecer do ser humano.
•    Educar pensando criticamente faz com que educador e educando aprendam continuamente forjando um saber de práticas e de vida, o saber ser.
•    A teoria da ação comunicacional de Habermas é uma maneira reflexiva de observar os processos sociais e todos os seus males.
•    Para Adorno, educação emancipatória é a intermediação entre sujeito e objeto, para utilizar corretamente os instrumentos pedagógicos.
•    Acredita-se que, graças a educação, a tecnologia melhorará, deixando de ser apenas “coisas” técnicas.
•    A soma da educação com a tecnologia poderia fazer um mundo “real”melhor.
•    O fio condutor do acontecimento histórico foi a utilização e fabricação de instrumentos, provocando a dialética entre as necessidades naturais e a satisfação do homem. A necessidade determina o instrumento que, por sua vez, conduz à satisfação. Os instrumentos geram novas necessidades.
•    Assim surgiu a história da máquina. Em volta da máquina, são organizadas as relações de trabalho e alterados os comportamentos dos trabalhadores.
•    A tecnologia é uma linguagem que provoca ações sociais, e que nunca é neutra politicamente. A estrutura de poder sempre se vale das conquistas tecnológicas, e a tecnologia não existiria sem vontade política para desenvolvê-la.
•    O homem precisa controlar a tecnologia ao invés de ser controlado por ela. A melhor maneira de fazer isso é a educação.
•    Cabe ao historiador compreender o papel da máquina e sua importância em cada período histórico.
•    A história é a responsável por aproximar a educação da tecnologia, e fazer com que uma entenda a outra.
•    Graças à tecnologia, hoje o principal trabalho é o dos serviços, onde qualquer coisa pode ser uma “mini-fábrica”.
•    O trabalho muda para uma gestão descentralizada dos serviços, e com isso a principal força motriz torna-se a comunicação. Uma boa gestão de trabalho é aquela que faz com que todos os grupos colaborem entre si.
•    Quando trabalhadores e dirigentes não se falam (como no ambiente taylorista), a riqueza da linguagem é abandonada.
•    O trabalho hoje é algo alem do ganha-pão. Também é uma força para gerar novos conhecimentos.
•    A escola transforma artesão (errático) em professor quando sistematiza o ensino.
•    Saber = poder. O capitalismo sabe e se vale disso. Para o capitalismo, o saber da humanidade é mais uma das ferramentas para gerar riqueza.
•    O saber divide o trabalho entre intelectual e de execução. Ou seja, o modo de produção capitalista alija uma série de trabalhadores.
•    O trabalho hoje é uma ação eminentemente comunicativa. Assim, é necessário que o trabalhador busque o saber, cada dia mais. E esse saber provém mais do mundo do que das posições dogmáticas previamente estabelecidas.
•    O conhecimento tácito é implícito e impossível de ser traduzido num discurso. Essa parte do conhecimento que escapa do discurso e se transmite na pratica é chamado “modus operandi”.
•    Por mais valorizado que sejam os “modus operandi” e o conhecimento formal, o conhecimento ideal é a junção de ambos.
•    Educação tecnológica é mais do que apenas “dar o que o mercado quer”. É criar um indivíduo capaz tecnicamente, mas que também consiga pensar criticamente.

Cidades e cidadãos imaginados pelos meios de comunicação

Fevereiro 22nd, 2008
GARCÍA CANCLINI, Néstor. Cidades e Cidadãos imaginados pelos meios de comunicação. Opinião Pública. [online]. May 2002, vol.8, no.1 [cited 26 August 2004], p.40-53. Disponível na World Wide Web em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-62762002000100003&lng=en&nrm=iso. ISSN 0104-6276.

•    A cidade pode ser entendida através da relação de seus processos de comunicação. Hoje, a cidade é mais do que o local de trabalho e habitação. É o local da comunicação.
•    Quem faz a demarcação de “O que é a cidade” são os meios de comunicação.
•    Os problemas urbanos são “ajeitados” pelas redes de comunicação.
•    A cidade é uma metáfora da comunicação.
•    É mais importante que as pessoas circulem pela cidade do que tenham uma boa qualidade de vida. Assim, em detrimento das praças e das áreas de sociabilidade, são feitos mais e mais viadutos e vias de transporte.
•    A definição de “o que é a cidade” sai da esfera dos moradores e passa à TV.
•    Os meios de comunicação criam as “tribos”urbanas.
•    Antigamente, os “limites”das cidades eram bem definidos na literatura. Hoje, com a TV e o ciberespaço, esses limites são menos claros, dificultando até mesmo uma identidade com a cidade.
•    Embora a maioria dos jornais tenha uma relação preferencial com a cidade em que são produzidos, atualmente o conjunto de sua informação mostra uma articulação complexa entre o local, o nacional e o internacional.
•    Para a imprensa, a “cidade” é o que ocorre no centro ou nos bairros “pobres”.
•    Para o jornal, os cidadãos estão em um lugar que é subordinado às ordens. Para o jornal, a cidade é muito mais homogênea do que o é na verdade.
•    O rádio ajuda a manter um pais unido graças à língua.
•    O rádio é mais aberto às queixas e idéias do cidadão comum, que se sente “parte”da cidade graças à possibilidade de opinar.
•    A TV distancia a população da realidade, tornando-a, diversas vezes, insensível aos dramas ocorridos a poucos quilômetros.
•    Uma descoberta é que a mídia contribui para reproduzir, mais do que para alterar, a ordem social.
•    A TV favorece à perda da criticidade, Aceita-se tudo com uma “seletividade pouco reflexiva”, onde a capacidade de critica é suprimida.

Tecnologia, desenvolvimento social e educação tecnológica

Fevereiro 21st, 2008
DE CARVALHO, Marília Gomes de Tecnologia, desenvolvimento social e educação tecnológica. Educação & Tecnologia. Curitiba, CEFET-PR. Volume 1, N ° 1, pp 70-87. Disponível na World Wide Web em: http://www.ppgte.cefetpr.br/revista/vol1/art4.htm / http://www.bibvirt.futuro.usp.br/

• O texto trata das implicações sociais do desenvolvimento tecnológico.
• A tecnologia passa a ser vista dissociada das necessidades do modo de produção capitalista, e começa a ser considerada um fenômeno isolado, alienando os trabalhadores e impedindo-os de tomar consciência das reais implicações da tecnologia e o seu papel no capital.
• A tecnologia não necessariamente torna a vida do homem mais fácil e mais agradável.
• Sociedade e tecnologia não podem ser estudadas isoladamente, mesmo porque os indivíduos são maiores que a sociedade.
• A sociedade e suas regras são mais lentas que a tecnologia.
• O capitalismo sustentado pela tecnologia não é a única organização mundial, principalmente porque a maioria da população não têm acesso a essa tecnologia.
• Trabalhadores são substituídos por máquinas (tecnologia), deixando homens sem emprego e os que estão empregados com dificuldades de lutar por melhores condições.
• Quem domina a informação, domina o povo.
• Atualmente, o Estado perde seu poder, que é delegado às empresas multinacionais.
• Uma das maiores dificuldades atuais é manter a identidade cultural em um mundo cada vez mais globalizado.
• O capitalismo tecnológico talvez não seja a solução para todos os povos. A identidade cultural é algo que o capitalismo elimina, e que alguns povos não aceitam.
• O mundo não está só globalizado, está também ocidentalizado, tanto financeiramente quanto culturalmente.
• Os paises ricos têm uma globalização “melhor” que os países pobres.
• Não é porque os povos têm acesso aos mesmo aparelhos que eles utilizam da mesma forma. A cultura de cada povo também se faz presente no momento de uso da tecnologia.
• Os governos, assim como as pessoas, não querem o “bem” do seu semelhante. Querem vencê-lo.
• Um país de terceiro mundo quando se depara com a tecnologia:
.   - Cria uma dualização crescente, bem como uma diferença de classes dentro do próprio país.
.   - As sociedades excluídas tentam desesperadamente rejeitar as regras do jogo, criando populistas e ditadores.
.   - Cria-se uma marginalidade (drogas, prostituição, etc)
.   - Se depara com muitos migrantes que vão para os países desenvolvidos.
• Ou o país está informatizado, ou está numa ilha nacionalista.
• A tecnologia é boa para quem tem acesso a ela. Mas a maioria não tem. Tecnologia não é desenvolvimento social.
• Um brasileiro pobre é muito semelhante a um americano pobre.
• Atualmente as pessoas dependem fundamentalmente da tecnologia nas grandes cidades. E cada dia surge uma nova tecnologia sem a qual não se pode viver.
• O homo-urbanus não sabe mais viver sem pressa. E está cada vez mais apressado graças à competitividade.
• A globalização acentua as desigualdades sociais.
• A educação tecnológica deve compreender também idéias humanísticas. O aluno deve entender a tecnologia permeada pelas alterações que ela promoverá na sociedade
• O aluno deve entender o novo papel da tecnologia, com um viés critico, entendendo que ela causa conflitos e respeitando as diferenças sociais.

Imagem fotográfica e temporalidade social

Fevereiro 20th, 2008
LEITE, Marcelo Henrique (2004) Imagem Fotográfica e Temporalidade Social. Studium, num. 18. Disponível em: http://www.studium.iar.unicamp.br/18/04.html Acesso em 21/09/2005. Trabalho apresentado ao NP-20 - Fotografia: comunicação e cultura no IV Encontro dos Núcleos de Pesquisa - XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Porto Alegre, PUC-RS, 2004.

•    Flusser fala sobre a imagem técnica onipresente. Já Baudrillard fala da imagem-simulação como construtora de uma nova realidade.
•    Para Flusser as imagens existem graças à imaginação. Nelas perdem-se o tempo e o espaço, que é construído pelo leitor.
•    Ainda segundo Flusser, as imagens deveriam representar o mundo, mas não o fazem, uma vez que representam algo irreal.
•    As pessoas acreditam nas imagens, esquecendo que elas são construções.
•    A sociedade lê imagens falsas, mas as aceitam, criando a anomia da sociedade de massa.
•    As imagens digitais constroem novos mundos, deixando as pessoas incapazes de entender a realidade do momento em que a foto foi tirada.
•    Para Baudrillard, tudo tende à publicidade, da economia à guerra. Assim, até as imagens jornalísticas tendem a ser imagens publicitárias.
•    Para Flusser, o futuro da fotografia é o fotografo deixar de ser escravo do equipamento.
•    Para Baudrillard, não há mais tempo de reflexão, e achar que uma imagem retrata o real é ingenuidade.
•    Para Flusser, a imagem técnica é uma tentativa de fazer com que a sociedade não precise mais pensar, já que está tudo explícito. Já para Baudrillard, como não precisamos pensar, não conseguimos mais entender o fato, e somos escravos das simulações.
•    Para Martín-Barbero, a imagem é mais um segmento de consumo, e para estuda-las, temos que estudar o consumo de todos os segmentos.
•    Já que a leitura é um hábito de consumo, existe, além da reprodução, também a produção, que é independente e tem sua mensagem.
•    Para Martín-Barbero, o consumo também é um lugar de produção de sentidos, e é permeado pelas idéias culturais e sociais.
•    Para Martín-Barbero, o sistema de mídia está perdendo sua especificidade e se tornando uma parte de um sistema maior, como político, social ou econômico. Isso vai contra as idéias de Baudrillard.
•    O tempo cronológico é fundamental no capitalismo, mas não é na cotidianidade. O tempo é formatado também na sociedade e até nos indivíduos.
•    O tempo é uma das formas de articulação de poder, e o tempo globalizado não é necessariamente o tempo social da recepção consumo, uma vez que com o passar do tempo determinadas fotos atingem uma proporção ainda maior.
•    Apesar da globalização, as culturas e o tempo influenciam a leitura da foto.